6 min de leitura
Dezenas de ossadas e corpos de cães em decomposição são encontrados em área rural de Lages

Na sexta-feira, dia 21 de agosto de 2026, a Polícia Científica e órgãos da prefeitura de Lages se deslocaram até uma área rural do município para averiguar denúncias realizadas por um cidadão através do Ministério Público. O cenário encontrado no local foi estarrecedor: dezenas de sacos contendo corpos de animais em decomposição e ossadas espalhadas. Por razões de segurança e para não encorajar novos descartes, a ALPA optou por não divulgar a localização exata do ponto.

Histórico de omissão e a urgência do diagnóstico do MPSC

Infelizmente, a região é um ponto crônico de descarte e abandono, antigo conhecido da comunidade protetora de animais de Lages. Apesar de uma quantidade expressiva de denúncias formalizadas no decorrer dos anos, elas não resultaram em ações efetivas por parte do poder público para resolver o problema.

Em 19 de fevereiro de 2025, a vereadora Bruna Uncini protocolou o requerimento 0009/2025, solicitando a instalação de câmeras de videomonitoramento na localidade. Contudo, já se passou mais de um ano e meio desde o pedido formal e nenhuma câmera foi instalada.

Essa realidade local dialoga diretamente com os dados revelados pelo projeto "MP Guardião da Vida Animal", do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Segundo levantamento divulgado pelo portal ND Mais, Lages figura na 24ª posição estadual no ranking de ocorrências de maus-tratos a animais proporcional à população (2023–2025). O diagnóstico do MPSC visa justamente embasar tecnicamente as Promotorias de Justiça para cobrar ações permanentes das gestões municipais.

Vítimas resgatadas e a atuação dos protetores

Enquanto a fiscalização e as câmeras não chegam, protetores e simpatizantes se sobrecarregam para alimentar, cuidar e resgatar — dentro do possível — a grande quantidade de animais abandonados na área. Devido ao isolamento, muitos cães acabam se tornando ariscos pela falta de contato humano, o que dificulta até mesmo a captura para castração.

Cobrança e posicionamento da ALPA

A Polícia Científica fará o recolhimento dos corpos para análise e perícia. Espera-se que a investigação consiga elucidar os fatos e identificar o responsável pelo descarte indevido e morte dos animais.

A ALPA já tinha conhecimento do caso antes da divulgação pela mídia e continuará com o acompanhamento da denúncia no Ministério Público, adotando todas as demais providências jurídicas cabíveis.

Refletindo sobre a realidade de Lages, Anna Laura, presidente da ALPA, reforça o pedido de ação governamental:

"Nos últimos anos percebemos uma melhora no serviço público ao que tange castração e adoção dos animais resgatados pela COBEA, o serviço de atendimento veterinário itinerante também é uma iniciativa que tem dado muito certo, porém a quantidade de animais abandonados é um problema complexo e urgente. Precisamos que o poder público atue de forma mais agressiva em fiscalização e conscientização. Os animais não são um problema, as pessoas é quem são."

Já a respeito do novo mapeamento estadual do Ministério Público, Anna Laura avalia a iniciativa como um passo importante no monitoramento dos dados:

"Para a ALPA, o projeto MP Guardião da Vida Animal é uma resposta para a população dos milhares de denúncias que são feitas e não são devidamente resolvidas. Vai demorar um pouco para sentirmos o impacto em Lages, já que apenas as primeiras cidades do ranking receberão o projeto nessas primeiras etapas. Mas serve de alerta para a população: denunciem! Nem sempre vemos o resultado de uma denúncia isolada de forma imediata, mas agora sabemos que há alguém monitorando esses números, e isso já é um bom começo."

📢 Passo a Passo para Denúncias em Lages

Apesar das dificuldades, a ALPA encoraja a população a não desistir de denunciar. Registrar a ocorrência é indispensável para alimentar os dados oficiais e cobrar providências:

  1. Fazer o B.O. no site: Acesse delegaciavirtual.sc.gov.br.
  2. Descrever os fatos: Faça um relato detalhado da situação e inclua o endereço completo do local.
  3. Aguardar a chave: O sistema gerará um número de protocolo (anote-o) e enviará uma chave de acesso para o e-mail cadastrado.
  4. Salvar em PDF: Após receber a chave, clique em Imprimir Boletim de Ocorrência e salve o arquivo em PDF no seu dispositivo.
  5. Encaminhar para a COBEA: Envie o PDF do B.O. em anexo para o e-mail cobea@lages.sc.gov.br.

Lembre-se: maus-tratos a animais é CRIME. Denúncias também podem ser feitas pelo telefone 190 (Polícia Militar), 181 (Disque-Denúncia) ou presencialmente em qualquer delegacia civil.

Comentários
* Seu e-mail não será divulgado no site.